AUTOR: Pedro Branco | Redação
No último domingo, dia 26, apoiadores de Jair Bolsonaro realizaram um ato em defesa do ex-presidente, alvo de um inquérito da Polícia Federal sobre sua suposta participação em uma “trama golpista” quando era chefe do Executivo.
Ontem, o ex-presidente Bolsonaro levou milhares de seus apoiadores para um ato na Avenida Paulista, no centro de São Paulo. Insistindo na intenção de uma manifestação pacífica e democrática em defesa do “Estado Democrático de Direito e da liberdade”, sem ataques a instituições e figuras públicas, como ministros do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro foi hábil em demonstrar surpreendente força política, mesmo em um dos momentos mais delicados de sua carreira. Na última quinta-feira, dia 22, o ex-mandatário foi interrogado pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre a tentativa de um golpe de Estado e permaneceu em silêncio.
O ex-capitão do Exército, no olho do furacão, escolheu dobrar a aposta. Em um momento delicado, optou por um teste de popularidade. Pode-se dizer, inclusive, que um fiasco de público aceleraria a pressão para uma eventual prisão. Isso, porém, não aconteceu. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a manifestação popular reuniu cerca de 750 mil pessoas na principal avenida da capital paulista e em ruas adjacentes. Foi uma resposta que demonstrou força e redirecionou a pressão para as investigações e decisões da Justiça.
O poder demonstrado pela capacidade de mobilização de Bolsonaro reforça também as narrativas ao seu redor. É pertinente apontar que grande parte da população não aceita bem as investigações que o colocam como mentor de uma suposta trama golpista. Segundo um levantamento do instituto AtlasIntel, divulgado no início do mês, 42,5% dos entrevistados acreditam que “as investigações contra Bolsonaro constituem uma perseguição política”, enquanto 40,5% discordam dessa visão. Esses fatores pesam favoravelmente ao ex-mandatário, já condenado e declarado inelegível em uma ação do Tribunal Superior Eleitoral.
Apesar disso, o ex-chefe do Executivo adotou um tom essencialmente conciliador em seu discurso. Empunhou uma bandeira de Israel, em crítica ao presidente Lula e suas recentes declarações sobre o conflito entre Israel e a Palestina. Pediu anistia para os apoiadores presos pelos atos de 8 de janeiro e falou em “passar uma borracha no passado”. Finalizou rebatendo as acusações de que estaria envolvido no planejamento de um golpe de Estado, afirmando que “golpe é tanque na rua, é arma, é conspiração. É trazer classes políticas para o seu lado, empresariais, isso que é golpe. Nada disso aconteceu no Brasil”.
É interessante notar também a presença de aliados, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O popular mandatário discursou para o público e reforçou sua lealdade ao ex-presidente, fortalecendo sua viabilidade como candidato presidencial do bolsonarismo em 2026. Além dele, estiveram presentes os governadores Romeu Zema, de Minas Gerais; Jorginho Mello, de Santa Catarina; e Ronaldo Caiado, de Goiás; além do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que busca a reeleição com o apoio de setores conservadores.
Em síntese, pode-se dizer que Bolsonaro obteve considerável sucesso em seu teste de fogo. Deixou claro que ainda detém uma enorme força de engajamento político e, pelo menos nas entrelinhas, adverte que qualquer movimento institucional contra ele pode estar sujeito a algum tipo de resposta popular. Além disso, corrobora a posição de protagonismo do bolsonarismo para as eleições de 2024 e 2026, aumentando a pressão sobre Lula e seus adversários, já desgastados pela polêmica declaração em que comparou a situação na Faixa de Gaza ao Holocausto promovido pelos nazistas. Apesar de sua condição de inelegibilidade, a transferência de capital político e popularidade para Tarcísio, Zema ou até sua esposa, Michelle, pode ocorrer e obter sucesso, especialmente se essa mobilização for capaz de mitigar o índice relevante de rejeição existente na figura do ex-presidente.
Resta saber, agora, qual será a reação de seus adversários políticos. Por enquanto, é aceitável reconhecer que o momento é do ex-presidente Bolsonaro.






Deixe um comentário