Filme "peca gravemente na retração do biografado" (Foto: Divulgação)

AUTOR: Giovanni Ghioldi | Redação


O longa-metragem que adapta a vida do primeiro grande regente americano soa desesperado em tentar conquistar as graças da Academia e do público.

Maestro (2023) é o principal lançamento da Netflix para a temporada de premiações, tendo passado por anos problemáticos de produção, incluindo a troca de diretores — de Martin Scorsese para o atual diretor, roteirista e ator principal, Bradley Cooper. Mas, afinal, o filme faz jus a todas as suas indicações ao prêmio mais cobiçado da Academia?

O longa gira em torno do relacionamento entre Leonard Bernstein (Bradley Cooper) e sua esposa, Felicia Montealegre (Carey Mulligan). No entanto, por vezes, se torna confuso, desinteressante e arrastado. A montagem tenta, de diversas maneiras, nos engajar com a história e a carreira de Leonard, mas, por algum motivo, o filme ofusca qualquer cena que realmente demonstre seus dons musicais. Há apenas dois momentos que efetivamente destacam o talento avassalador do lendário compositor.

A narrativa avança por meio de crônicas, o que agrava ainda mais os problemas já presentes na adaptação da vida de Bernstein. O filme nos entrega apenas fragmentos de uma carreira que ele próprio se propõe a contar, e esses fragmentos, por sua vez, se tornam pretensiosos ao não demonstrar os feitos de Bernstein, limitando-se a afirmar sua importância como o maior regente americano. Essa abordagem empobrece o roteiro e reduz a grandiosidade do biografado.

Um dos principais problemas do filme é a completa esterilidade ao tratar da sexualidade de Bernstein e de como sua esposa lidava com esse aspecto de sua vida. A produção carece de um desenvolvimento apropriado, a ponto de obrigar o espectador a buscar informações externas para entender melhor as nuances de sua vida pessoal. Isso cria um profundo senso de futilidade na narrativa, que ignora um aspecto vital da história que se propõe a contar. O filme se prende aos dramas amorosos do maestro sem, no entanto, desenvolvê-los de forma satisfatória, um problema agravado pelo formato fragmentado da narrativa.

Apesar dos problemas de roteiro, algumas cenas ainda brilham, em meio à tentativa desesperada de Cooper de agradar à crítica especializada. Destacam-se os raros momentos que finalmente demonstram o talento de Bernstein, como a cena da composição e performance da Sinfonia nº 2 de Gustav Mahler, onde a atuação de Cooper captura com perfeição os trejeitos e a genialidade do regente.

Maestro acerta em diversos aspectos, como fotografia, figurinos e atuações, mas peca gravemente ao retratar o biografado, frequentemente deixando Bernstein em segundo plano para favorecer a personagem Felicia e suas complexidades. Assim, o filme desperdiça o potencial bruto da história de Leonard Bernstein, tornando-se um lembrete de como sua trajetória poderia ter sido melhor adaptada.

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