AUTOR: Giovanni Ghioldi | Redação


Pobres Criaturas é mais uma das obras características de Yorgos Lanthimos, misturando estranheza e fantasia em um longa-metragem marcante. O filme adapta o romance homônimo de Alasdair Gray (1992) e acompanha a história de Bella Baxter (Emma Stone), uma jovem encontrada morta que, após ser revivida pelo excêntrico Dr. Godwin “God” Baxter (Willem Dafoe), se vê em um mundo repleto de descobertas e, ao mesmo tempo, de amarras sociais que ela tem dificuldade de compreender. A narrativa nos conduz por uma jornada rica e surreal, inspirada em diversas culturas e estilos, criando um universo único e fascinante.

O longa reafirma a genialidade de Yorgos Lanthimos. Trata-se de um filme coeso, que explora com maestria cada conceito apresentado e extrai o máximo de seus atores. Destaque para as performances de Emma Stone e Willem Dafoe, que demonstram pleno domínio sobre a psique de seus personagens. A atuação, sem dúvida, é um dos pontos mais fortes da obra.

A direção artística também merece elogios. Figurinos, cenários e trilha sonora são cuidadosamente inseridos em cada cena, contribuindo para a imersão do espectador. Um detalhe que chama a atenção de forma extremamente positiva é a maneira como a trilha musical se desenvolve ao longo do filme, complementando a narrativa de forma orgânica. São raras as adaptações literárias que conseguem traduzir tão fielmente a essência do material original, e Pobres Criaturas se sobressai nesse aspecto.

Outro ponto notável é a abordagem de temas considerados “tabus” pela sociedade. O início, repleto de estranheza e desconforto, dá lugar a uma compreensão gradual do mundo peculiar em que Bella vive. Assim como a protagonista, o espectador passa a se familiarizar com essa realidade, tornando a experiência ainda mais envolvente. A narrativa acerta ao nos fazer parte dessa transformação.

A cada novo capítulo e cenário, Pobres Criaturas se reafirma como uma obra fascinante. A direção de Yorgos Lanthimos, aliada ao roteiro de Tony McNamara, resultou em uma adaptação que certamente honra o legado de Alasdair Gray—um autor que, infelizmente, não pôde ver sua grandiosa obra ganhar vida no cinema.

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