AUTOR: Miguel Gonçalves | REDAÇÃO
“Me perdoem por ter um passaporte alemão”, brincou Thomas Tuchel em entrevista coletiva como técnico da seleção inglesa. Acontece que a brincadeira talvez seja só para Tuchel.
Em outubro de 2024, o Daily Mail publicou uma matéria com o título “A dark day for a England”, que quer dizer “um dia sombrio para a Inglaterra”, quando soube da contratação de Tuchel para os Three Lions. Mas ora, qual o problema?
Tuchel já foi campeão pelo Dortmund, Bayern, PSG e inclusive pelo Chelsea, ganhando a Champions League. Nem está em dúvida sua capacidade. Acontece que um alemão comandando a seleção inglesa é quase que um devaneio para a Inglaterra. A rivalidade entre os países ultrapassa questões esportivas.
Era 1966, final de Copa do Mundo. O palco da final era Wembley (o mesmo da estreia de Tuchel). A Inglaterra ainda nunca havia conquistado o título, já a Alemanha Ocidental havia sido campeã em 1954.
Os alemães saíram na frente, os ingleses viraram e a Alemanha forçou a prorrogação aos 89 minutos. No tempo extra, Geoff Hurst acertou o travessão, a bola quicou perto à linha e saiu. Gol da Inglaterra. Já no final, aos 120, Hurst fez o terceiro dele no jogo e consagrou a Inglaterra como dona do mundo.
Até hoje não se tem um consenso sobre se essa bola entrou ou não. O apelidado “gol fantasma” decidiu a Copa de 1966 a favor dos ingleses. Acontece que a rivalidade entre os dois países não começou naquele ano.
Vamos voltar para 1871. A ascensão da Alemanha unificada, sob a liderança da Prússia, levou a uma disputa econômica e militar entre os dois países. A rivalidade se escancarou cerca de meio século depois.
A Alemanha, comandada pelo Kaiser Guilherme II, entrou em guerra com a Grã-Bretanha e seus aliados. Desencadeou na Primeira Guerra Mundial. A propaganda britânica retratava os alemães como bárbaros, e os via como uma ameaça à sua hegemonia colonial.
Pouco tempo depois, na Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido foi um dos primeiros a resistir à Alemanha nazista, recusando um acordo de paz com Hitler. O Dia D, em 1944, foi liderado por tropas britânicas e aliadas, e resultou na derrota alemã.
A contratação, claro, não gerou repercussão somente na imprensa inglesa. A torcida também parece não ter gostado. Há quem diga que Winston Churchill se contorce no túmulo, tamanha a rivalidade entre os países.
A rivalidade, que corre fora do campo de futebol, é forte até hoje, muito embora hoje estes países sejam aliados na OTAN, por exemplo.
A questão é: será Thomas Tuchel, um alemão, capaz de unificar a Inglaterra ao redor de si?






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