AUTOR: Miguel Gonçalves | Redação


Argentina e Brasil se enfrentaram na última terça-feira (25). O placar de 4×1 é uma das maiores tragédias da história da seleção e relembra momentos parecidos.

Em 1950, a Copa do Mundo foi sediada no Brasil. Nossa seleção nunca havia vencido o Mundial, e as Copas não eram realizadas desde 1938, em decorrência da Segunda Guerra Mundial.

Era de bom tom, então, que a sede fosse o Brasil. Jogar com sua própria torcida, à época, seria um grande incentivo para buscarmos a primeira estrela em nosso uniforme.

Diferente de hoje, o Brasil fazia naquela Copa grandes atuações. Tinha vencido a Suécia por 7×1 e a Espanha por 6×1. Foram e são até hoje as maiores goleadas brasileiras em Copas.

Avançando o tempo, estavam Brasil e Uruguai na final. Em pleno Maracanã, para 200 mil pessoas, aproximadamente, o vencedor daquele jogo seria coroado o campeão. 

O jogo foi como se esperava. Ou começou como se esperava, pelo menos. O Brasil sufocou o Uruguai, que era obrigado a se defender contra os 11 em campo e as milhares de vozes à arquibancada. 

O Uruguai conseguiu equiparar o jogo, mas o primeiro gol foi verde e amarelo. Friaça, são-paulino, abriu o placar logo no começo do segundo tempo. 

Aos 21 minutos, Schiaffino empatou. Faltando 11, em falha de Barbosa, o uruguaio Alcides Ghiggia deixou o dele e selou o título em pleno Maracanã.

Agora a dúvida: e o que isso tem de semelhança com o 4×1 sofrido pela seleção ontem?

Acontece que o brasileiro é realmente um ser com ótima autoestima, para não dizer soberbo. Em 1950, as comemorações pelo título começaram antes mesmo da bola rolar. Não teve ninguém dizendo “porrada neles” ou “vou fazer a porra do gol”, mas a soberba precedeu a queda tal qual ontem.

O que a seleção brasileira ainda não aprendeu em 75 anos que espaçam os fatos é que o futebol sulamericano é disputadíssimo.

Em 1950, nunca havíamos ganhado uma Copa. Hoje, com longas gerações, temos 5 títulos. Quantas vezes não vimos os próprios jogadores desta vexatória geração falar sobre “ser penta”? 

Aquela seleção de 1950 tinha ótimas condições, inclusive as melhores até a época, para levantar a Taça Jules Rimet. Essa seleção, de agora, também tem a oportunidade para marcar seu nome na história.

O problema, então, qual é? Soberba. Daqueles de 50 que achavam que a Copa já estava ganha. E destes de agora que acreditam que vestir a camisa verde e amarela é a solução para vencer qualquer adversário.

A camisa pesa, é fato. Mas precisa pesar também a competência e a seriedade.

Dorival Junior bradou com ânimo que “vamos estar na final da Copa”, Raphinha garantiu que ia ‘fazer a porra do gol’. E o resultado foi bem parecido com o do Maracanazo. 

Há uma solução, simplória. Colocar os pés no chão. Hoje, o Brasil não amedronta rival algum. Somos uma seleção sem brilho, sem ânimo, sem vontade e sem futebol, mas com uma soberba extravagante que ultrapassa a barreira do cabível.

Enquanto tratarmos o Brasil como o “penta campeão”, seremos sempre uma seleção que brilhará com seu passado e se apagará ao futuro.

Não significa, é verdade, que o conquistado até aqui deve ser esquecido. Significa que o Brasil deve caminhar do zero, com uma gestão decente, com uma organização séria e com o que pede o futebol moderno. 

Afinal, é assim que se vence – mesmo que demore – no futebol atual. 

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