AUTOR: Giovanni Ghioldi | Redação
O que esperar de quem sempre erra? O que esperar da Disney, que traz lançamento ruim atrás de lançamento ruim, mediocridade seguida de mais mediocridade?
Ao assistir o remake live-action de Branca de Neve, eu posso dizer que, podemos aguardar mais conteúdo merecedor de riso, porque Branca de Neve (2025) é um grande exemplo de como a nossa querida e estimada Disney está bem longe de seus dias de glória.
Em toda sua graça tecnológica e atual, o filme impressiona menos que seu antecessor. Com um intervalo de 88 anos entre ambas as versões, a animação de 1937 desperta mais sentimentos que seu sucessor, que apenas serve de alerta ao quão estéril é essa nova leva de remakes.
Outro ponto que simboliza a extrema perda na qualidade entre a versão antiga e a abominação que pude observar em tela, é a nova roupagem que os animaizinhos da floresta tem, um meio-termo entre a magia dos traços do desenho, e o realismo digno de um documentário sobre vida animal, olhos grandes, orelhas felpudas e movimentos engraçadinhos constantemente se chocam com a tentativa de trazer um realismo desnecessário aos amigos da Branca de Neve.
Essa tentativa em atualizar a aparência da clássica história, acaba por prejudicar o sentimento mágico e lúdico que foi responsável por encantar as audiências em 1937, e em todas a gerações subsequentes, não se esqueça, a animação original é, e sempre será um clássico. Ao assistir ao desenho da princesa da Disney, as crianças e adultos se recordam de tempos mais simples, em que se a qualidade das produções ecoava e inspirava o imaginário do espectador. No entanto, ao assistir à versão de 2025, é possível notar um retrato triste da ganância que a cerca, da falta de tato e criatividade na concepção de um projeto como esse.
O filme tem os sete anões, os quais foram a parte mais interessante do longa, e que desempenhavam um papel muito mais interessante e único na peça original, que aqui, são coadjuvantes que servem a trama como criaturas mágicas que mineram pedras preciosas, sendo representados por efeitos visuais que, apesar de parecerem estranhos e mal inseridos em alguns momentos, sustentam a presença que os sete anões tem no longa.
Além da família de anões, temos o personagem substituí o príncipe encantado, um rebelde, interpretado por Andrew Burnap, que lidera uma pequena trupe de rejeitados e marginalizados que lutam em nome do rei, e claro, como qualquer outro elemento neste filme, não despertam nada além de pena.
E claro, o destaque negativo que acredito que ficará marcado na história do cinema como uma das piores atuações de um vilão da Disney, é Gal Gadot (Mulher-Maravilha, Velozes e Furiosos…) no papel da Rainha Má. Sua interpretação transforma cada cena em um espetáculo de vergonha alheia e riso involuntário. A israelita entrega exatamente o oposto do que o público deseja: uma vilã exagerada, de canto sofrível e atuação que desperta mais pena do que respeito. Com suas expressões caricatas e trejeitos dignos de uma comédia pastelão, a atriz israelense se torna, ironicamente, a parte mais memorável de um filme repleto de momentos esquecíveis.
O mesmo infelizmente não pode ser dito sobre a nossa protagonista, Branca de Neve, interpretada por Rachel Zegler, serve mais como um cabide que segura a peça mais feia do figurino do filme, do que como uma protagonista propriamente dita. Assim como sua antagonista, Rachel não consegue oferecer mais do que a mesma feição para os acontecimentos ‘emocionantes’ do conto, entregando peças de canto que, apesar do alcance vocal inegável da atriz, não despertam emoção alguma no espectador.
Sua atuação apática e sem carisma dificulta se importar com sua jornada, e sua presença em cena é ofuscada não apenas pela fraca construção da personagem, mas também pela falta de química com os demais atores. Em um gênero que depende tanto da expressividade e do impacto emocional das canções, Branca de Neve falha miseravelmente em capturar a magia dos musicais responsáveis pela fama da Disney.
Enfim, Branca de Neve (2025) é mais uma tentativa frustrada da Disney de transformar um clássico atemporal em uma máquina de vendas disfarçada de filme. Com uma direção pífia, um ritmo desastroso, músicas terríveis e um roteiro que parece ter sido escrito às pressas por uma equipe preocupada apenas com merchandising, a produção serve mais como um lembrete da decadência criativa do estúdio do que como uma homenagem à animação original.
O filme tropeça em sua própria pretensão, tentando modernizar a história sem compreender o que a tornou icônica em primeiro lugar. O resultado é uma narrativa idiota, repleta de diálogos artificiais e personagens que carecem de profundidade ou propósito. A Disney, que já foi referência em contar histórias, agora parece mais interessada em criar franquias de plástico, onde o brilho está nos produtos licenciados e não na magia do cinema. Se Branca de Neve (2025) tinha a intenção de conquistar novas gerações, falhou espetacularmente, pois nem mesmo a nostalgia pode salvar um filme que não tem identidade própria.






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