AUTOR: Francisco Varkala | Redação
O governo dos Estados Unidos lançou nesta sexta-feira (18) uma nova versão do site COVID.gov, que agora sustenta a hipótese de que o SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, teria surgido a partir de um acidente em laboratório na cidade de Wuhan, na China.
Segundo o conteúdo publicado, o vírus apresenta uma característica biológica que “não é encontrada na natureza” e teria entrado na população humana por meio de um único evento, o que contradiz pandemias anteriores marcadas por múltiplas transmissões entre espécies. O texto ainda aponta que o Instituto de Virologia de Wuhan (WIV), referência em pesquisas com coronavírus, conduzia experimentos de gain-of-function — técnica que altera geneticamente vírus para estudar seu comportamento — em níveis considerados inseguros de biossegurança.
De acordo com o site, há indícios de que pesquisadores do WIV adoeceram com sintomas semelhantes aos da Covid-19 ainda no outono de 2019, meses antes da identificação oficial do surto em um mercado de alimentos da cidade.
O portal também critica a publicação científica “The Proximal Origin of SARS-CoV-2”, que defende a origem natural do vírus. Segundo o governo americano, o estudo teria sido incentivado por Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, para “reforçar uma narrativa preferencial” e deslegitimar a teoria do vazamento laboratorial.
Outros pontos abordados incluem críticas ao sistema de financiamento e supervisão do Instituto Nacional de Saúde (NIH), apontado como falho na condução e fiscalização de pesquisas perigosas. A ONG EcoHealth Alliance, responsável por parcerias com o laboratório de Wuhan, é acusada de utilizar verbas públicas de forma irregular e já responde a investigações por parte do Departamento de Justiça americano.
A nova versão do site também critica políticas adotadas durante a pandemia, como o distanciamento social de seis pés (cerca de dois metros), as ordens de lockdown e o uso de máscaras, classificando essas medidas como “arbitrárias” ou sem base científica sólida. O texto afirma que tais estratégias causaram prejuízos econômicos e à saúde mental da população, sobretudo entre os mais jovens.
Por fim, o site responsabiliza a Organização Mundial da Saúde (OMS) por ter se submetido à pressão política da China e coloca em xeque o novo tratado pandêmico da entidade, que estaria, segundo o texto, em desacordo com os interesses dos Estados Unidos.
O conteúdo foi publicado pela Subcomissão sobre a Pandemia de Coronavírus, ligada ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, sob maioria republicana. O texto não apresenta novos dados científicos ou investigações inéditas, mas agrupa argumentos que reforçam a tese do vazamento laboratorial — ainda considerada improvável por grande parte da comunidade científica global.






Deixe um comentário