AUTOR: Pedro Varkala | Redação


A situação dos professores da rede pública em São Paulo tornou-se um desafio alarmante. Mal remunerados, esses profissionais perderam algo igualmente valioso: o respeito. Nas salas de aula, a hierarquia é frequentemente ignorada por alunos que, amparados por falhas legais, transformam o ambiente de trabalho dos educadores em um espaço de tensão e desgaste.

Com a impunidade assegurada e a ausência de educação parental adequada, os professores ficam de mãos atadas diante dos comportamentos inaceitáveis que enfrentam diariamente. Apelar às Delegacias de Ensino é, muitas vezes, inútil, pois essas instâncias pouco fazem para resolver os conflitos. As famílias, por sua vez, frequentemente defendem com veemência as atitudes dos filhos, mesmo quando indefensáveis, incentivando ainda mais a indisciplina.

Contudo, a responsabilidade não recai apenas sobre os pais ou responsáveis. O Estado também tem sua parcela de culpa, ao se mostrar ineficiente na adoção de medidas para reverter o sucateamento da educação pública paulistana. Os professores, que dedicam suas vidas a ensinar e educar, são tratados como peças descartáveis de um sistema opressivo: recebem salários insuficientes, enfrentam maus-tratos, carecem de autoridade e são amplamente ignorados.

Diante desse cenário caótico, em 15 de abril, os educadores da cidade de São Paulo decidiram entrar em greve.

Segundo informações da Agência Brasil, a motivação maior dos profissionais da educação foi o fato da classe rejeitar a proposta do governo municipal de reajuste anual de 2,6%, a partir de 1º de maio de 2025, e de 2,55%, a partir de 1º de maio de 2026. 

Apesar, claro, do reajuste salarial ser a principal bandeira, fica evidente que as demandas vão muito além. Em um relato anônimo, uma professora da rede pública compartilhou a dura realidade de seu dia a dia:

“Sou professora da rede pública há mais de uma década e nunca me senti tão desrespeitada e desamparada como agora. A sala de aula tornou-se um ambiente hostil. A hierarquia foi perdida, os alunos nos tratam com desprezo e, quando tentamos impor limites, somos atacados — verbalmente, emocionalmente e, em alguns casos, até fisicamente.

As famílias frequentemente defendem atitudes indefensáveis dos filhos, e, quando buscamos apoio nas instâncias superiores, nada acontece. O Estado simplesmente finge que não vê. A educação está sucateada, e nós, professores, estamos adoecendo.

A greve não é só por reajuste salarial. É um grito por respeito, por condições dignas de trabalho, por dignidade. Estamos sendo esmagados por um sistema que nos cobra tudo, mas não nos oferece nada.”

O relato da professora, que preferiu não se identificar, expõe o colapso do sistema educacional em São Paulo. A greve dos educadores reflete, sobretudo, o esgotamento de uma categoria que enfrenta desvalorização crônica, violência nas escolas e a ausência de políticas públicas eficazes.

A luta dos professores é por respeito, condições dignas de trabalho e o resgate da educação como prioridade na cidade. Trata-se de um apelo urgente para que o governo e a sociedade paulistana garantam dignidade a esses profissionais e um futuro digno às escolas públicas de São Paulo.

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