AUTOR: Francisco Varkala | Redação


Após a morte do Papa Francisco, aos 88 anos, a Igreja Católica se prepara para um dos conclaves mais aguardados e imprevisíveis da história moderna.

Marcado para 7 de maio, o conclave terá 135 cardeais eleitores, 108 nomeados por Francisco. O próximo pontífice será escolhido em meio a tensões entre alas progressistas, que defendem a continuidade das reformas inclusivas, e conservadoras, que buscam um retorno à ortodoxia doutrinária.

Seis cardeais emergem como favoritos nas especulações: Pietro Parolin, Orani João Tempesta, Luis Antonio Tagle, Péter Erdő, Matteo Zuppi e Peter Turkson. Cada um traz uma trajetória distinta e visões que podem moldar o futuro dos 1,4 bilhão de católicos no mundo.

A TIESA News elaborou uma pequena biografia para cada um desses “papáveis” e explicou, resumidamente, como cada um pensa. Confira:


Pietro Parolin (70 anos, italiano)

Nascido em Schiavon, Itália, em 1955, o cardeal Pietro Parolin, 70 anos, é o Secretário de Estado do Vaticano desde 2013, atuando como o “número 2” da Santa Sé. Formado em Direito Canônico, sua carreira diplomática inclui nunciaturas na Venezuela e negociações com China e Vietnã. Moderado, Parolin é visto como um continuador das reformas de Francisco, defendendo uma Igreja mais aberta, mas com cautela em questões como bênçãos a casais homoafetivos, que ele considera delicadas. Sua crítica à legalização do casamento gay na Irlanda, em 2015, como uma “derrota para a humanidade”, gerou controvérsia, mas sua habilidade diplomática o mantém como favorito, com 28% de probabilidade nas casas de apostas. Críticos apontam sua falta de carisma pastoral, enquanto apoiadores destacam sua estabilidade institucional.


Orani João Tempesta (74 anos, brasileiro)

Dom Orani João Tempesta, 74 anos, é o arcebispo do Rio de Janeiro desde 2009 e cardeal desde 2014. Nascido em São José do Rio Pardo (SP), sua liderança na Jornada Mundial da Juventude de 2013 consolidou sua imagem de pastor próximo ao povo. Alinhado às prioridades de Francisco, Tempesta promove justiça social e diálogo inter-religioso, com forte atuação em periferias cariocas. Embora cotado, ele nega ambições papais, e a escolha de outro latino-americano é vista como improvável após Francisco. Sua presença no conclave, contudo, reforça a influência brasileira, representando a maior nação católica do mundo.


Luis Antonio Tagle (67 anos, filipino)

Aos 67 anos, o filipino Luis Antonio Tagle, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização, é um dos mais carismáticos entre os “papáveis”. Ex-arcebispo de Manila, foi nomeado cardeal por Bento XVI em 2012. Conhecido como “Francisco asiático”, Tagle critica a linguagem dura contra LGBTQ+, divorciados e mães solteiras, defendendo uma Igreja acolhedora. Sua oposição ao aborto nas Filipinas, porém, mostra um equilíbrio entre progressismo e tradição. Com 23% nas apostas, ele poderia ser o primeiro papa asiático, refletindo o crescimento do catolicismo na Ásia. No entanto, acusações de bullying na Caritas Internationalis, de onde foi afastado em 2022, podem prejudicar sua candidatura.


Péter Erdő (72 anos, húngaro)

Péter Erdő, 72 anos, arcebispo de Esztergom-Budapeste, é um dos principais nomes da ala conservadora. Nomeado cardeal por João Paulo II em 2003, é especialista em Direito Canônico e defensor da ortodoxia, opondo-se à comunhão para divorciados recasados e à imigração irrestrita, posições que ecoam o nacionalismo de Viktor Orbán. Sua experiência como presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (2006-2016) e sua moderação o tornam um candidato de consenso para conservadores, com 7,2% nas apostas. Erdő é comparado a João Paulo II por sua formação sob o comunismo, mas sua falta de carisma pode ser um obstáculo.


Matteo Zuppi (69 anos, italiano)

Italiano, 69 anos, Matteo Zuppi é arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana desde 2022. Nomeado cardeal por Francisco em 2019, é ligado à Comunidade de Sant’Egidio, conhecida por mediações de paz, como em Moçambique nos anos 1990. Como enviado de Francisco à Ucrânia, visitou Kyiv e Moscou, promovendo diálogo. Progressista, Zuppi defende uma abordagem inclusiva a casais homoafetivos e migrantes, mas sua juventude relativa pode preocupar cardeais que temem um papado longo. Sua proximidade com Francisco o coloca como um continuador de suas reformas, com forte apelo entre os eleitores.


Peter Turkson (76 anos, ganês)

Nascido em Nsuta, Gana, em 1948, Peter Turkson, 76 anos, é chanceler da Pontifícia Academia de Ciências. Nomeado cardeal por João Paulo II em 2003, liderou o Conselho para a Justiça e Paz e foi conselheiro de Francisco em temas como clima e pobreza. Progressista em questões sociais, é conservador em doutrina, mantendo posições tradicionais sobre casamento e sacerdócio. Sua crítica à criminalização da homossexualidade em Gana mostra abertura, mas polêmicas, como um vídeo de 2012 sobre o islamismo, geraram críticas. Com 13% nas apostas, Turkson poderia ser o primeiro papa africano em 1.500 anos, mas controvérsias passadas são um desafio.


Conclave imprevisível

O conclave, previsto para 7 de maio, será o maior da história, com eleitores de 52 países, refletindo a globalização da Igreja sob Francisco. A divisão entre progressistas, que buscam avançar na inclusão e no diálogo inter-religioso, e conservadores, que priorizam a doutrina tradicional, torna o resultado incerto. Como diz o ditado romano, “quem entra no conclave como papa, sai como cardeal”. Nomes como Karol Wojtyła (João Paulo II) e Jorge Bergoglio (Francisco) surgiram inesperadamente, sugerindo que o próximo pontífice pode não estar entre os favoritos. A escolha, guiada pelo Espírito Santo, segundo a tradição, definirá o rumo da Igreja em um mundo marcado por polarizações e desafios globais.

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