AUTOR: Gabriel Noronha | Redação
A covarde partida do Palmeiras frente ao Chelsea escancarou o péssimo trabalho do português nos últimos três anos e ressuscitou fantasmas que assombraram a torcida durante todo esse período.
A eliminação marca apenas a mais recente oportunidade em que o time, quando se depara com adversários de nível minimamente competitivo, entra em campo assustado, pensando apenas em não ser humilhado.
No início da partida, mesmo assim, flertou com um placar elástico, gerando espaços que os ingleses desperdiçaram diversas vezes. Como é possível um elenco escolhido a dedo, treinado pela mesma comissão há quase cinco anos, marcar um adversário de maneira tão desconexa?
A primeira linha “pressionava” timidamente alguns metros acima do meio campo, enquanto a dupla de volantes se mantinha centímetros à frente dos zagueiros, abdicando completamente de grande parte da região central.
É claro que os desfalques prejudicaram o desempenho do time, mas as duas ausências expuseram graves erros na montagem de elenco. Entrar em campo com Vanderlan e Micael em uma partida que vale milhões de dólares, uma classificação histórica e uma revanche entalada na garganta de seus adeptos há anos é, no mínimo, sinal de incompetência.
Enquanto TODOS sabiam da diferença entre Piquerez e a cria da academia, NINGUÉM pode explicar a contração do camisa 13, que tem como grande destaque em seu currículo uma passagem pelo ridículo Houston Dynamo.
Abel Ferreira capitaneou o clube durante uma janela em que o Palmeiras foi o décimo time do MUNDO que mais gastou em reforços. O resultado? UM jogador que seria titular incontestável, se pudesse estar em campo por mais de 30 minutos. É inacreditável queimar toda essa fortuna em jogadores medianos como Micael, Facundo Torres e Emiliano Martínez.
Paulinho é um caso à parte, que merece debate e críticas, mas mostrou que tem futebol para agregar e praticamente se pagou ao eliminar o Botafogo no último domingo. Vitor Roque, o mais caro dos contratados, têm deixado a desejar, mas é claramente prejudicado pelo “futebol” apresentado pela equipe. Tirando o bizarro lance na Libertadores, onde seu cérebro parece desligar ao se deparar com o campo aberto à sua frente, não me vem à mente nenhum “gol perdido” pelo Tigrinho, que dificilmente recebe passes em condição para finalizar.
Voltando ao jogo, o apito final da primeira etapa gerou alívio ao coração de palmeirenses em todo o mundo. Com apenas 1×0 no placar, Abel teve a oportunidade de corrigir os erros da equipe, mas optou por voltar com a mesma escalação. Sinceramente, não entendi como Emiliano e Facundo voltaram do vestiário, ambos estavam completamente perdidos em campo e precisavam dar espaço para Aníbal e Maurício, respectivamente.
Apesar da insistência, o time melhorou, viu um cansado Chelsea baixar a intensidade e até empatou, apostando em uma das duas únicas jogadas previstas no repertório do Abel desde o final de 2022: a individualidade de um talento geracional da base alviverde.
O time que depende há tempos de bolas longas e jogadas geradas por Endrick e Estevão, aproveitou o primeiro gol decisivo da Cria, em sua última partida com essa camisa, para igualar o placar.
Embalado pelo gol e pela euforia da torcida, que mais uma vez deu show nos Estados Unidos, o Palmeiras retomou as rédeas da partida, se tornou mais perigoso com as entradas de Paulinho e Maurício, e preencheu o meio campo com o seu camisa 5.
A esperança, no entanto, durou pouco. Os ingleses voltaram a liderar o placar após um cruzamento desviado terminar na falha de Weverton (mais uma para seu grande portfólio de erros em momentos decisivos)
O restante da partida é irrelevante. No desespero e sem qualquer organização, o Palmeiras se expôs em busca do empate e mal assustou o goleiro adversário. A ridícula tentativa do Vanderlan de acertar um passe de calcanhar, no campo de defesa, durante os acréscimos merece uma menção. Como pode um jogador ser tão sem noção??
O maior problema, ao meu ver, é que mais uma vez o time é eliminado de um grande campeonato devendo futebol, deixando claro que pode se impor mais em campo (como fez na grande partida contra o Botafogo) e terá uma muleta para desviar o foco da péssima performance. Dessa vez foi o “azar” do desvio, mas fatores com uma “ineficiência ofensiva”, “péssimas arbitragens”, “calendários apertados” e “detalhes” já foram usados como justificativas em vexames anteriores.
Um dos melhores elencos do país, o mais completo pelo menos, é refém de um treinador que é incapaz de propor jogo. O Palmeiras vive apenas de contra-ataques e linhas baixas contra bons times, e abafas e cruzamentos contra adversários que se fecham ao enfrentar o alviverde. Jogadas trabalhadas, aproximações e tabelas parecem ações tão complexas quanto física quântica quando o time de Abel Ferreira entra em campo
Gostaria de finalizar lembrando que ainda estamos em julho, e o ano ainda promete ser muito pior. Difícil imaginar que essa equipe melhore perdendo Paulinho, que irá realizar uma nova cirurgia; Estevão, que se junta aos ingleses; e, muito provavelmente, Richard Ríos, destaque do campeonato que não tem reserva no elenco, e atrai interesse de diversos gigantes europeus.
A presidente, que parece estar muito mais preocupada em estampar as manchetes do UOL, deve postar em breve um posicionamento em suas redes sociais, parabenizando a equipe pela “excelente campanha”. Isso se não aparecer em todos os programas esportivos do país se vangloriando por garantir a renovação do excelente trabalho de Abel até 2027.
E ainda há quem defenda entregar as chaves do clube e o maior salário do continente ao português. Que os deuses do futebol tenham piedade da Sociedade Esportiva Palmeiras!





Deixe um comentário